Associação Musical de Freamunde - Banda Filarmónica
204 ANOS DE MÚSICA, MEMÓRIA E CORAÇÃO

A Banda da Associação Musical de Freamunde celebrou mais um aniversário com emoção, tradição e orgulho
O dia 5 de outubro foi, para a Banda de Freamunde, um desses dias que não se medem apenas pelas horas que passam, mas pelas emoções que ficam no coração de todos aqueles que amam esta instituição.
Celebrar 204 anos de existência ininterrupta é muito mais do que assinalar uma data no calendário. É celebrar uma história construída por gerações. É recordar homens e mulheres que deram o seu tempo, a sua dedicação, o seu talento e, muitas vezes, uma parte da própria vida para que a música nunca deixasse de ecoar. É olhar para trás com orgulho, mas também para o futuro, com a certeza de que existe uma herança que merece continuar a ser honrada.
E foi precisamente com esse espírito que se viveram as comemorações.
UMA HOMENAGEM A QUEM CONTINUA PRESENTE NA NOSSA MEMÓRIA
As celebrações tiveram início no dia 4 de outubro, com uma missa por todas as pessoas que, ao longo dos anos, fizeram parte da nossa instituição e que já partiram.
Às dezassete horas, na Capela de São Francisco, reunimo-nos em oração e em memória daqueles que já não podem estar fisicamente connosco, mas que continuam profundamente ligados à Banda de Freamunde.
Porque uma banda também se constrói com aqueles que partiram.
Cada nota tocada hoje traz consigo um pouco daqueles que ensinaram, dirigiram, tocaram, trabalharam, ajudaram e sonharam. Recordar os nossos é também uma forma de lhes dizer que não foram esquecidos e que continuam a fazer parte daquilo que somos.
A missa foi, assim, o primeiro momento de umas comemorações que se quiseram não apenas festivas, mas sobretudo humanas, sentidas e profundamente ligadas às nossas raízes.
5 DE OUTUBRO: UMA HISTÓRIA QUE CONTINUA
Chegado o dia 5 de outubro, Freamunde vestiu-se de orgulho para celebrar a sua Banda.
O dia começou com o tradicional hastear da bandeira, num momento carregado de simbolismo. Ali estava aquela bandeira, erguida ao vento, como se levasse consigo mais de dois séculos de histórias, de sacrifícios, de alegrias, de dificuldades e de conquistas.
Depois, seguimos para os Cemitérios n.º 1 e n.º 2, onde prestamos homenagem aos que fizeram parte desta grande família musical.
Foi mais um daqueles momentos em que o silêncio disse muito.
Diante das campas daqueles que nos antecederam, sentimos que a história da Banda de Freamunde não é apenas uma sucessão de datas. É feita de rostos, de nomes, de histórias e de vidas inteiras dedicadas à música e à nossa instituição.
E é por isso que celebrar o presente nunca poderá significar esquecer o passado.
Um Museu que guarda a alma da Banda
De regresso à sede da Banda, teve lugar o Porto de Honra, aberto a todos aqueles que quiseram associar-se a este momento tão especial.
Seguiu-se um dos momentos mais marcantes destas comemorações: a abertura do Museu da Banda de Freamunde – “Museu Luís Rego”.
Foi com enorme orgulho que recebemos várias individualidades para conhecerem este espaço onde a história deixou de estar apenas nos livros, nas fotografias ou na memória das pessoas para ganhar uma casa própria.
O Museu da Banda de Freamunde é muito mais do que uma sala onde se guardam objetos antigos. É um lugar onde o passado conversa com o presente.
Ali estão memórias de muitas gerações. Instrumentos, documentos, fotografias e tantos outros testemunhos que ajudam a contar a extraordinária caminhada desta instituição.
Temos um museu de que podemos, verdadeiramente, sentir orgulho. Um espaço que não guarda apenas objetos: guarda sentimentos, guarda histórias e guarda a identidade de uma Banda que há mais de dois séculos faz parte da vida de Freamunde.
À mesa, a amizade e a emoção
Depois de uma manhã tão intensa, chegou o momento do almoço comemorativo, realizado no restaurante Parrilhada, em Freamunde.
Foi um almoço muito bem passado, marcado pela boa disposição, pela amizade e, sobretudo, pela emoção de todos aqueles que ali se reuniram para celebrar mais um aniversário da nossa Banda.
E porque uma instituição também se constrói com as pessoas que caminham ao seu lado, foi particularmente significativo contar com a presença de várias individualidades que quiseram associar-se a esta celebração.
Entre as diversas personalidades presentes, destacaram-se o Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira; o Presidente da Junta de Freguesia, Arménio Ribeiro; o Presidente da Associação Musical de Freamunde, Paulo Querido; e, de forma muito especial, o Presidente da INATEL, Eng.º José Manuel da Costa Soares.
Palavras que vieram do coração
Os discursos foram um dos momentos mais emotivos do almoço.
Cada palavra proferida trouxe consigo reconhecimento, amizade e respeito por uma instituição que, há mais de dois séculos, continua a escrever a sua história.
Foram palavras sentidas, que lembraram o passado, valorizaram o presente e apontaram para o futuro.
Porque quando se fala de uma instituição com uma história tão longa e uma existência ininterrupta, fala-se de algo que ultrapassa largamente as pessoas que hoje lhe dão vida.
Fala-se de uma herança. Fala-se de uma responsabilidade. Fala-se de amor.
E foi precisamente esse amor pela Banda, pela música e pela nossa terra que se fez sentir nas palavras do Presidente da Câmara Municipal, do Presidente da Junta de Freguesia, do nosso Presidente da Associação Musical de Freamunde e do nosso Maestro, Vítor Resende.
Um ano inteiro de música e dedicação
Este aniversário foi também uma oportunidade para recordar tudo aquilo que foi realizado ao longo do último ano.
Foram muitos os serviços, atuações, momentos solenes, encontros, concertos e iniciativas em que a Banda de Freamunde esteve presente.
Por detrás de cada atuação esteve trabalho. Por detrás de cada concerto estiveram ensaios. Por detrás de cada fotografia esteve uma história. E por detrás de cada momento houve homens e mulheres que deram o seu melhor para honrar o nome da nossa Banda.
Foram muitos os momentos que tivemos oportunidade de acompanhar e divulgar ao longo do ano, numa caminhada feita lado a lado, com orgulho e dedicação, dando voz às iniciativas e às histórias da nossa instituição.
E a música continua
E assim terminou um dia que ficará certamente guardado na memória de todos.
Um dia de bandeiras ao vento, de flores e lágrimas nos cemitérios, de memórias preservadas num museu, de abraços, de palavras sentidas, de mesas partilhadas e de muitos sorrisos.
Um dia em que celebrámos os vivos sem esquecermos os que partiram. Um dia em que olhámos para trás sem deixarmos de pensar no amanhã.
Mais de dois séculos depois da sua fundação, a Banda de Freamunde continua a ser feita de pessoas. De diferentes gerações que passaram por esta instituição e deixaram cada uma delas um pouco de si. De músicos, maestros, dirigentes, colaboradores, famílias, apoiantes e de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que esta história chegasse até aqui.
E talvez seja esse o maior segredo desta instituição: a Banda de Freamunde não pertence apenas a quem hoje a integra. Pertence também a todos aqueles que, ao longo de tantas gerações, ajudaram a construí-la.
Pertence aos que tocaram, aos que ensinaram, aos que dirigiram, aos que trabalharam, aos que apoiaram e aos que partiram. E, sobretudo, a todos aqueles que continuam a acreditar que vale a pena manter viva esta chama.
Porque enquanto houver alguém disposto a pegar num instrumento, enquanto houver uma criança a aprender as primeiras notas, enquanto houver músicos a ensaiar, enquanto houver público a aplaudir e enquanto houver alguém que ame esta Banda, a história continuará a ser escrita.
E quando, daqui a muitos anos, alguém perguntar o que significou esta longa caminhada, talvez a resposta não esteja apenas numa data ou num número. Estará nas pessoas, nas memórias, nas músicas, nos momentos partilhados e em tudo aquilo que foi construído ao longo de gerações.
Será uma história feita de dedicação, de paixão e de amor pela música.
Uma história que começou há mais de dois séculos, atravessou gerações e que, felizmente, ainda está longe de terminar.
Porque a música continua.
E enquanto continuar a tocar, continuará também a bater o coração da Banda de Freamunde.
Parabéns, Banda de Freamunde.
Parabéns a todos os que fizeram, fazem e continuarão a fazer parte
Contramestre | Manuel Queirós