Deão, 29 de agosto, uma verdadeira festa do Minho ao som da Banda da Associação Musical de Freamunde
Há festas que se vivem, há festas que se recordam… e há festas que ficam guardadas na memória como uma melodia que, mesmo depois de terminar, continua a ecoar no coração.
Foi assim em Deão, Viana do Castelo, no dia 29 de agosto, por ocasião das grandiosas festividades em honra do Senhor dos Aflitos, São Sebastião e da Nossa Senhora dos Imigrantes. Uma celebração profundamente minhota, onde a fé, a tradição, a música e o encontro das gentes se uniram numa só emoção.
Foi ao início da tarde que a Banda de Freamunde chegou à festa, fazendo a sua entrada num bonito e vibrante cortejo pelas ruas de Deão. Ao som dos instrumentos, a banda percorreu algumas das artérias da freguesia, levando consigo aquela sonoridade tão característica das bandas filarmónicas e enchendo as ruas de música, cor e alegria. Era a tradição a caminhar lado a lado com o povo, numa manifestação genuína da cultura musical do Minho.
Concluída a entrada, a Banda de Freamunde dirigiu-se ao palco para o concerto da tarde. E, apesar de o céu se apresentar carregado e de uma pequena chuva ter marcado alguns momentos da atuação, ninguém arredou pé. Pelo contrário, os verdadeiros aficionados das bandas filarmónicas permaneceram presentes, alguns procurando abrigo, mas continuando atentos à música. Entre o público encontravam-se rostos conhecidos, grandes apaixonados pelo universo filarmónico, gente que acompanha as bandas pelo Minho e por outras terras, testemunhando com entusiasmo mais um momento de partilha e de cultura musical.
E foi precisamente essa presença que tornou o concerto ainda mais especial. Porque uma banda toca com os seus músicos, mas também toca para aqueles que sabem ouvir.
Sob a direção do nosso maestro, Vítor Resende, a Banda de Freamunde apresentou um concerto seguro, expressivo e tecnicamente cuidado. A sonoridade do conjunto, o equilíbrio entre os naipes, a precisão rítmica e a interpretação das obras demonstraram o trabalho e a dedicação que estão por detrás de cada apresentação. Entre metais, madeiras e percussão, cada músico deu o seu contributo para construir um momento musical digno de uma grande festa minhota.
Por volta das sete da tarde, o concerto chegava ao fim, deixando no ar as últimas notas de uma tarde marcada pela música e pela devoção. Logo depois, a comunidade voltou-se para a dimensão religiosa da celebração, com o início da Santa Missa, num momento em que a fé ocupou o centro das festividades.
Mas a noite ainda guardava outro capítulo.
E se durante a tarde a chuva tinha aparecido de forma tímida, antes do concerto noturno o céu minhoto mostrou toda a sua força. Choveu intensamente, como se São Pedro quisesse testar a determinação de quem fazia e de quem vivia a festa. Contudo, quando chegou a hora de a Banda de Freamunde subir novamente ao palco, a chuva parou.
Como se o próprio céu tivesse decidido dar uma trégua à música.
E foi então que a noite se iluminou com os sons da banda.
Perante um público novamente reunido, a Banda de Freamunde ofereceu um segundo concerto, cheio de energia, musicalidade e emoção. Depois de um dia em que a meteorologia colocou à prova a resistência de músicos e espectadores, a noite acabou por premiar todos aqueles que acreditaram que a festa tinha de continuar.
Foi uma noite de música, de encontro e de celebração. Uma noite em que os instrumentos falaram, os músicos deram o melhor de si e o público respondeu com a sua presença e o seu carinho.
Em Deão, naquele 29 de agosto, celebraram-se três nomes que fazem parte da alma e da devoção de um povo, Senhor dos Aflitos, São Sebastião e Senhora dos Imigrantes, mas celebrou-se também algo maior: a identidade, a tradição e a cultura de uma terra que sabe receber e sabe festejar.
E a Banda de Freamunde, sob a batuta do maestro Vítor Resende, foi parte importante dessa história, deixando nas ruas e no palco de Deão aquilo que as bandas filarmónicas têm de mais bonito: a capacidade de juntar pessoas, atravessar gerações e transformar notas musicais em emoções.
Entre o sol escondido pelas nuvens, a chuva que apareceu e desapareceu, a fé dos devotos, a paixão dos aficionados e a música que nunca deixou de se ouvir, Deão viveu uma verdadeira festa do Minho.
Um especial e sentido agradecimento é devido à Comissão de Festas de Deão, pelo extraordinário trabalho, dedicação e empenho demonstrados na organização destas festividades, mas também pela forma calorosa, amiga e generosa com que receberam a Banda de Freamunde, fazendo-nos sentir, desde o primeiro momento, verdadeiramente em casa. A todos os que tornaram possível esta magnífica festa, fica o nosso profundo reconhecimento e a certeza de que Deão ficará na memória da Banda de Freamunde como uma terra onde a tradição, a música e a hospitalidade minhota se vivem de coração aberto.
Manuel Queirós