Um dia de sol e devoção com Nossa Senhora de Todo o Mundo no coração de Figueiró
No dia 15 de agosto, Figueiró viveu um daqueles dias de luz, calor e emoção que ficam guardados na memória de quem os vive. Sob o sol intenso de agosto, a Festa de Nossa Senhora de Todo o Mundo voltou a juntar a população e muitos visitantes, numa celebração onde a fé, a tradição e a música caminharam lado a lado.
Foi durante a tarde, já com o calor a fazer-se sentir intensamente, que a Banda da Associação Musical de Freamunde chegou a Figueiró, trazendo consigo a música que haveria de marcar um dos mais bonitos dias desta festa.
As primeiras notas começaram a preencher as ruas e, pouco a pouco, a música foi chamando as pessoas. Vieram de Figueiró, mas também de vários pontos do concelho, muitos deles verdadeiros amantes da música filarmónica, que quiseram estar presentes para ouvir uma banda que é já uma referência e que tem no seu percurso uma profunda ligação à sua terra e às suas gentes.
Uma tarde em que a música ganhou asas
E que tarde!
A Banda de Freamunde ofereceu à população um grande concerto, daqueles em que a música parece ultrapassar o coreto e entrar diretamente no coração de quem escuta. Sob o sol forte de agosto, entre o calor da tarde e a sombra procurada por quem assistia, cada interpretação foi recebida com atenção, entusiasmo e aplausos.
Sob a direção do maestro Vítor Resende, a Banda de Freamunde apresentou uma interpretação de grande riqueza artística, onde a variedade tímbrica, o rigor técnico e a expressividade musical se fizeram sentir em cada obra. Entre diferentes ambientes sonoros, das passagens de maior densidade e imponência aos momentos de maior lirismo e subtileza, a banda construiu uma verdadeira viagem musical, prendendo o público do primeiro ao último compasso.
Depois, houve um pequeno intervalo.
E a música deu lugar à fé.
Numa tarde de agosto serena e luminosa, Figueiró abriu o coração à sua Senhora. Nossa Senhora de Todo o Mundo saiu à rua entre uma multidão comovida, enquanto a Banda de Freamunde, com a solenidade das suas marchas de procissão, vestia de música cada passo do cortejo.
A imagem da Senhora, a população e a música fundiram-se num só instante de beleza, daqueles em que uma terra parece respirar em uníssono. E, entre os muitos olhares que acompanhavam a passagem, havia também memórias silenciosas de quem um dia caminhou por aquelas mesmas ruas e hoje vive apenas na saudade. Rostos que, por instantes, pareciam procurar no cortejo a presença daqueles que partiram, mas que continuam ligados à terra, à fé e às tradições que ajudaram a construir.
Por entre a música, a emoção e o silêncio dos corações, Figueiró caminhou com a sua Senhora. E foi talvez aí, entre a fé, a memória e a música, que a festa encontrou a sua mais bonita expressão: uma terra inteira a dizer, sem palavras, à sua Senhora que continua a amá-la.
Uma noite que Figueiró vive com o coração inteiro
Mas quem conhece Figueiró sabe que a festa ainda estava longe de terminar. Quando a noite chegou, a terra voltou a encher-se para aquela que é uma das noites mais esperadas do ano.
Vieram os da terra, vieram muitos amigos de Freamunde, terra vizinha e irmã, e chegaram pessoas de vários pontos do concelho, unidas pela paixão à música filarmónica. Figueiró estava cheio, vibrante, vivo — numa dessas noites em que a música parece ser capaz de juntar toda uma comunidade num só coração.
A Banda de Freamunde, sob a direção do maestro Vítor Resende, voltou a oferecer um concerto de grande riqueza musical. A precisão rítmica, o equilíbrio dos naipes, a diversidade tímbrica e a expressividade das interpretações deram a cada obra uma identidade própria, alternando momentos de grande intensidade sonora com outros de delicado lirismo.
A condução do maestro revelou-se determinante na construção de cada frase musical, nos contrastes de dinâmica e na riqueza das diferentes texturas sonoras. Do primeiro ao último compasso, a banda manteve o público preso à música, numa noite em que a excelência artística se encontrou com a emoção de uma terra inteira.
Já madrugada dentro, chegou a hora da despedida. Primeiro, a passagem de testemunho à nova Comissão de Festas, símbolo de uma tradição que continua a viver de geração em geração. Depois, num dos momentos mais bonitos da noite, as duas bandas juntaram-se para tocar uma marcha em conjunto.
E, apesar da hora tardia, ninguém queria partir. Havia ainda muita gente, muitos olhares e muitos corações presos àquela última melodia. Sob a noite quente de agosto, a música tornou-se despedida, mas também promessa de reencontro.
Um agradecimento especial
A Banda de Freamunde deixa uma palavra muito especial à Comissão de Festas de Nossa Senhora de Todo o Mundo, agradecendo profundamente a forma amiga, generosa e carinhosa como nos recebeu. Desde a chegada até ao último momento, fizeram-nos sentir em casa.
À Comissão de Festas, à população de Figueiró e a todos os que se deslocaram para nos ouvir, fica o nosso sincero e sentido obrigado. Foi um privilégio fazer parte desta festa e partilhar a nossa música com uma comunidade que tão bem sabe recebê-la.
A noite terminou, as luzes apagaram-se e as ruas foram ficando silenciosas. Mas ficaram a Senhora, a música, a memória e a emoção de uma festa vivida de coração aberto.
Porque há noites que simplesmente terminam.
E há outras que ficam para sempre dentro de nós.
Esta foi, sem dúvida, uma delas.
Manuel Queirós