São Romão de Arêgos viveu um dia de fé, música e emoção ao som da Banda da Associação Musical de Freamunde
Há dias que não são apenas dias. Há momentos que ficam guardados na memória, porque conseguem juntar a fé, a tradição, a música, a amizade e a beleza de uma terra. Ontem, 9 de agosto, São Romão de Arêgos viveu um desses dias.
As Festas de São Romão, em São Romão de Arêgos, no concelho de Resende, são uma das celebrações mais tradicionais do concelho, unindo a vertente religiosa à animação popular. Dedicadas a São Romão, mártir cristão venerado desde os primeiros séculos do Cristianismo, as festividades mantêm viva uma tradição com raízes antigas, reunindo anualmente a população, emigrantes e visitantes em momentos de fé, convívio e cultura.
A manhã nasceu luminosa sobre São Romão de Arêgos, como se também o céu quisesse prestar a sua homenagem ao santo e à tradição desta terra, erguida junto ao alto da montanha, de onde se contempla uma paisagem de rara beleza, com as serras a perderem-se no horizonte e, bem lá em baixo, o rio Douro, sereno e majestoso. O azul aberto do céu, salpicado aqui e ali por algumas nuvens, deixava o sol, quente e acolhedor, derramar a sua luz sobre as montanhas e os vales, envolvendo toda a paisagem numa serenidade quase sagrada, como se a própria natureza se tivesse vestido de festa para acompanhar a fé, a devoção e a celebração de São Romão.
Foi sob esse céu, diante daquela paisagem magnífica e envolta numa atmosfera de profunda serenidade, que a Banda de Freamunde deu início à sua participação nas Festas de São Romão.
A entrada aconteceu na Capela de Nossa Senhora da Piedade, num momento carregado de significado. Ali, entre a solenidade do espaço religioso e o som dos instrumentos, a Banda iniciou a sua caminhada, acompanhando os andores da festa em direção à Igreja Matriz de São Romão de Arêgos.
O cortejo fez-se ao som de marchas religiosas, num ambiente de profundo respeito e devoção. A música, naquela manhã, parecia ganhar outro significado: não era apenas som, era companhia; não era apenas melodia, era uma forma de caminhar lado a lado com a tradição e com a fé de um povo.
Chegados à Igreja Matriz, realizou-se a Missa da Festa, momento central das celebrações religiosas. Terminada a celebração, a Banda de Freamunde voltou a acompanhar a comunidade pelas ruas, integrando a procissão, num percurso onde os andores, as pessoas e os músicos se uniram numa só expressão de fé e tradição.
Depois da solenidade, chegou o momento do convívio.
Seguiu-se um almoço particularmente agradável, vivido num ambiente de amizade e fraternidade entre os músicos, o maestro, a sua família e a direção. Foi um daqueles almoços em que a mesa se transforma num lugar de encontro, de conversa, de partilha e de muitas histórias, fortalecendo os laços que a música tantas vezes cria entre as pessoas.
Mas o dia ainda estava longe de terminar.
Após o almoço, a Banda de Freamunde voltou a entrar na festa e dirigiu-se ao palco, onde deu início a um grande concerto. Sob a batuta do nosso maestro Vítor Resende , os músicos proporcionaram um momento musical muito bem conseguido, levando ao público um repertório vivido com entusiasmo, dedicação e sentimento.
E o público respondeu.
Os aplausos foram imensos e calorosos. Entre cada tema, sentia-se o carinho das pessoas presentes, o entusiasmo de quem escutava e a alegria do adro da Igreja unida pela música. A Banda de Freamunde conquistou, uma vez mais, o coração de quem ali estava.
Depois de uma pausa para um pequeno leilão, a música voltou a fazer-se ouvir. Mais um momento de concerto, mais algumas melodias partilhadas com o público e mais uma demonstração de que, em dias de festa, a música tem o poder de aproximar gerações e transformar uma simples tarde numa recordação para toda a vida.
E, enquanto a tarde caminhava lentamente para o fim, São Romão de Arêgos vestia-se de uma beleza especial.
O vento que se levantara durante a tarde foi agradável e suave, trazendo um pouco de frescura ao calor do dia. Depois, o sol começou a descer no horizonte e ofereceu um pôr-do-sol magnífico, daqueles que parecem feitos especialmente para serem contemplados em silêncio.
A noite chegou devagar.
E chegou bonita.
O céu ficou estrelado, o horizonte abriu-se numa paisagem de uma beleza quase indescritível e a temperatura manteve-se agradável, permitindo que a festa continuasse envolta numa atmosfera tranquila e acolhedora.
Seguiu-se o jantar, vivido uma vez mais num ambiente de convívio e amizade. Mas a noite ainda guardava espaço para a música.
O concerto da noite foi outro dos grandes momentos. A Banda de Freamunde voltou a tocar com energia e sentimento, oferecendo ao público mais uma atuação muito bem conseguida. As notas espalharam-se pela noite de São Romão de Arêgos, misturando-se com as luzes da festa e com o céu estrelado.
Foi uma noite em que a música pareceu ficar suspensa no ar.
Uma noite em que cada acorde levou consigo um pouco da alma de quem tocava e um pouco do carinho de quem escutava.
E, como todas as coisas bonitas, também a noite teve de chegar ao fim.
Antes do regresso a Freamunde, a Banda proporcionou uma bonita despedida, deixando no coração de São Romão de Arêgos a última lembrança de um dia intenso, vivido entre a fé, a música, a amizade e a tradição.
À Comissão de Festas de S.Romão , deixamos o nosso mais profundo agradecimento pela forma tão carinhosa e acolhedora com que nos receberam, desejando que os próximos continuem, com o mesmo coração e dedicação, a manter viva esta bonita tradição e a fazer desta festa um verdadeiro encontro de fé, amizade e alegria.
Porque há festas que terminam quando as luzes se apagam, quando os instrumentos se silenciam e quando as pessoas regressam a casa. Mas há outras que continuam dentro de nós.
A Festa de São Romão de Arêgos foi uma dessas.
Manuel Queirós