Sebastianas. Gerações que fazem da tradição o coração de Freamunde.
No passado dia 12 de julho, a Banda da Associação Musical de Freamunde teve a honra de voltar a fazer parte das incomparáveis Festas Sebastianas, uma celebração onde a fé, a tradição e o orgulho de um povo caminham de mãos dadas, num abraço que atravessa gerações.
O dia começou cedo, ao som dos primeiros acordes e dos primeiros sorrisos. Tivemos a honra de dar entrada na festa, acompanhando os festeiros e anunciando que Freamunde despertava para mais um dos seus dias maiores. Sentia-se já no ar aquele perfume inconfundível das Sebastianas, um misto de alegria, devoção e paixão por uma terra que sabe viver como poucas.
Seguiu-se a Missa de Festa, um dos momentos mais sagrados e de maior recolhimento deste dia maior. A nossa Banda fez-se representar por alguns dos seus músicos que, em comunhão com o Deo Gratias Coro Litúrgico e sob a direção do nosso Maestro, Vítor Resende, deram voz à fé através da música. Cada nota ecoou como uma oração, envolvendo a igreja num ambiente de profunda espiritualidade.
A tarde trouxe consigo um sol intenso, daqueles que pareciam querer iluminar cada recanto da cidade. O calor fazia-se sentir com intensidade, mas nem o céu abrasador conseguiu vencer a vontade de um povo que encheu as ruas para viver a sua festa. Perante uma moldura humana impressionante, tivemos o privilégio de oferecer um grande concerto, partilhando a nossa música com um público que escuta com o coração e aplaude com a alma.
Mas havia ainda um dos momentos mais marcantes do dia.
A majestosa Procissão percorreu as ruas de Freamunde entre um verdadeiro mar de gente. Longa, imponente e carregada de emoção, avançou por ruas cuidadosamente preparado pelas mãos dedicadas do povo Freamundense. Os magníficos tapetes, verdadeiras obras de arte efémeras, revelavam horas de trabalho, entrega e amor à tradição. Cada desenho, cor e pormenor refletiam a fé, o carinho e o orgulho de uma comunidade que transforma as suas ruas num cenário de rara beleza para acolher a passagem da Procissão em honra de São Sebastião. Num silêncio respeitoso, apenas interrompido pela música e pela oração, era impossível ficar indiferente à grandiosidade daquele rio humano e à profunda devoção que só as Sebastianas conseguem despertar.
Quando a Procissão passou junto ao Quartel dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, o tempo pareceu suspender-se por breves instantes. As sirenes ecoaram pelos céus da cidade, num cumprimento solene e emocionante, num gesto de gratidão e respeito que envolveu São Sebastião, a Banda e toda a multidão presente. O seu som misturou-se com a emoção das pessoas, arrepiando quem assistia e recordando que há tradições que falam mais alto do que qualquer palavra.
Foi um daqueles momentos que ficam gravados para sempre na memória e no coração de quem os vive.
Terminada a Procissão, chegou o merecido momento de confraternização à mesa, porque também é assim que se vivem as Sebastianas, entre amigos, sorrisos e o calor humano que tão bem caracteriza o povo Freamundense.
E, quando a noite caiu, Freamunde voltou a vestir-se de festa. Regressámos ao palco para um grande concerto, oferecendo toda a nossa música a um público extraordinário que, uma vez mais, encheu as ruas, cantou, vibrou, aplaudiu e transformou a noite numa verdadeira celebração da vida.
As Sebastianas não são apenas umas festas.
São ruas inundadas de gente, abraços espontâneos, lágrimas de emoção, gargalhadas partilhadas e memórias que se escrevem ao som da música e da fé. São o reflexo de um povo bairrista, apaixonado, aguerrido e profundamente dedicado às suas tradições, que faz de cada visitante um amigo e de cada músico parte da sua família.
À Comissão de Festas, e a todo o povo Freamundense, deixamos o nosso mais sincero agradecimento pela forma calorosa com que, ano após ano, nos recebem.
Porque há festas bonitas.
E depois existem as Sebastianas.
Únicas. Vibrantes. Intensas. Inesquecíveis.
Até para o ano, Freamunde.
Manuel Queirós