No dia 19 de abril, sob um sol generoso que parecia beijar a terra e um calor que envolvia cada presença como um abraço doce, a festa despertou com uma beleza quase celestial. Tudo ali respirava encanto, como se o tempo tivesse decidido abrandar para saborear cada instante.
Num cenário onde a fé se entrelaça com a mais pura emoção, a Banda da Associação Musical de Freamunde teve a honra de marcar presença nas tão aguardadas Festas em Honra de Nossa Senhora do Amparo, figura de infinita ternura, porto seguro dos corações e luz serena que guia cada devoto. Sob a direção do nosso estimado Maestro Vítor Resende, cada nota ganhou ainda mais alma, como se fosse conduzida por um sentimento maior, invisível, mas profundamente sentido. Esta celebração, conhecida com carinho como “Festa da Pascoela”, por florescer duas semanas após a Páscoa, voltou a encher de vida a freguesia de Covas, no concelho de Lousada.
Logo pelas 09h00, a Banda de Freamunde fez a sua entrada, deixando no ar um rasto de música e emoção, como se cada acorde fosse uma promessa silenciosa de alegria. O percurso até à Junta de Freguesia foi acompanhado por olhares atentos e corações rendidos, seguindo depois para a casa do Juiz da Festa, onde o acolhimento caloroso refletiu a alma generosa de um povo que sabe receber com amor.
A chegada ao recinto trouxe consigo uma atmosfera de devoção e encanto, preparando o espírito para a missa festiva, um momento onde tradição e fé se abraçaram numa harmonia quase sagrada.
Durante a tarde, o concerto oferecido foi mais do que música: foi sentimento puro, daquele que arrepia a pele e embala o coração. Cada melodia parecia contar uma história de amor à terra, à tradição e à própria vida, conduzindo todos, suavemente, até à serenidade do Terço. E quando a Procissão saiu à rua, a Banda voltou a elevar o momento, envolvendo-o em sons tão delicados que pareciam murmúrios celestiais, como se o próprio céu se inclinasse para escutar.
A noite chegou envolta em magia, trazendo consigo um concerto de rara beleza e profundidade, digno de permanecer na memória de todos. O público, rendido, guardava cada instante como quem guarda um segredo precioso. E no momento da despedida, quando as duas Bandas se uniram para interpretar o Hino de Covas, sentiu-se algo maior do que palavras: um orgulho coletivo, uma emoção partilhada, um amor à terra que ecoará para sempre.
Fica, por fim, uma palavra sentida de gratidão à Comissão de Festas, por tornar possível um dia tão pleno de vida, tradição e encanto. Um dia em que a música e a devoção dançaram juntas, de mãos dadas, sob o mesmo céu luminoso.
Manuel Queirós
Festas Nossa Senhora do Amparo 2026 - Covas